A lei não marca um número mínimo de dias: quanto tempo o carro entra em busca e apreensão depende de quando o banco comprova o atraso, o que pode acontecer já depois da primeira parcela vencida. Na prática, muitos bancos notificam entre 30 e 90 dias de atraso e o carro é levado semanas ou meses depois, conforme o banco, o tribunal e o caso.
O que a lei diz sobre o tempo de atraso antes da busca e apreensão?
A lei não exige um tempo mínimo de atraso: o banco pode pedir a busca e apreensão a partir da primeira parcela não paga, desde que prove esse atraso. A regra está no Decreto-Lei 911/69, que trata do financiamento com alienação fiduciária, o contrato em que o carro fica no nome do banco como garantia até a última parcela.
Desde 2014, o decreto diz que a mora (o atraso, em linguagem jurídica) nasce do simples vencimento da parcela. O banco não precisa esperar, mas precisa comprovar, em regra por carta registrada enviada ao endereço do contrato. E a cláusula de vencimento antecipado permite cobrar de uma vez as parcelas que ainda iam vencer.
Quantas parcelas atrasadas costumam levar à busca e apreensão?
Juridicamente, uma parcela basta; na prática, a maioria dos bancos espera mais. É comum a notificação chegar entre o segundo e o terceiro mês de atraso, mas isso varia conforme a política do banco, o valor em aberto e o seu histórico.
Ter pago quase tudo também não protege. Em 2017, o Superior Tribunal de Justiça afastou a tese do adimplemento substancial nesses contratos: quem pagou 40 de 48 parcelas pode ter o carro levado, embora o valor pago pese na defesa e na conta final.
Linha do tempo: do primeiro atraso até a liminar
Entre o atraso e o guincho existem cinco etapas, e cada uma exige algo do banco. Veja quando cada uma costuma acontecer e o que você ainda pode fazer nela.
| Etapa | Quando costuma acontecer | O que o banco precisa fazer antes | O que você ainda pode fazer |
|---|---|---|---|
| 1. Parcela vence | Dia 1 do atraso | Nada além de cobrar; ligações e mensagens são comuns. | Pagar com encargos e pedir o comprovante. É a fase mais barata. |
| 2. Cobrança e negativação | Primeiras semanas | Avisar antes de incluir o seu nome nos cadastros de inadimplentes. | Pedir por escrito o valor atualizado e conferir juros e tarifas. |
| 3. Notificação extrajudicial | Em geral, entre 30 e 90 dias | Enviar carta registrada com aviso de recebimento ao endereço do contrato. | Guardar a carta e o envelope; negociar com prazo curto. |
| 4. Ação na Justiça | Dias a semanas após a carta | Juntar contrato, prova da notificação e cálculo da dívida. | Consultar o processo pelo CPF e preparar a defesa. |
| 5. Liminar e apreensão | Dias a meses após a ação | Obter a ordem do juiz, cumprida por oficial de justiça. | Pagar a dívida inteira em 5 dias ou se defender em 15. |
Faixas de referência, não regras: o tempo real varia conforme o banco, o tribunal e o caso. Há processos que chegam à apreensão em poucas semanas.
Não sabe em que etapa o seu contrato está?
Mande a carta, o boleto ou o número do processo. A equipe que atua em busca e apreensão de veículo: o que fazer diz por escrito quanto tempo você ainda tem. A análise é gratuita e os honorários só existem no êxito.
Descobrir em que etapa estou pelo WhatsAppO que o banco precisa provar antes de levar o carro?
Para conseguir a liminar, o banco precisa provar três coisas: que o contrato tem alienação fiduciária, que você está em atraso e que foi notificado no endereço do contrato. Se uma delas falhar, a defesa pode derrubar o pedido. Confira:
- Gravame registrado. A alienação fiduciária aparece no documento do veículo (CRLV) e no contrato.
- Notificação no endereço certo. O STJ decidiu em 2023 que basta o envio ao endereço do contrato, mesmo que ninguém assine; carta para endereço diferente é falha.
- Cálculo da dívida. O valor cobrado precisa bater com o contrato, sem juros acima do pactuado ou tarifas indevidas.
- Ordem de quem pode dar ordem. Em regra, a apreensão depende de decisão judicial; a Lei 14.711/2023 criou também um procedimento em cartório, validado pelo STF em 2025, que só vale quando o contrato prevê essa via em cláusula destacada.
Empresa de cobrança ou funcionário do banco nunca pode tomar o carro na rua por conta própria. Se alguém tentar, não entregue a chave e peça para ver a ordem.
Prazo da liminar: quanto tempo entre o processo e o guincho
Depois que o banco entra com a ação, o juiz costuma analisar a liminar em poucos dias ou semanas, sem ouvir você antes. A liminar é uma decisão provisória que autoriza o oficial de justiça a apreender o carro onde ele estiver: em casa, no trabalho ou na rua.
O cumprimento depende de encontrar o veículo e pode levar de dias a meses. Com a apreensão começam dois prazos: 5 dias para pagar a dívida inteira e 15 dias para a defesa. Detalhamos esse período no guia sobre os primeiros 5 dias depois da apreensão. As regras valem também para duas rodas; e se for uma moto? Veja o guia próprio.
Em que ponto você está e o que fazer agora
A resposta certa depende da etapa em que você se encontra hoje. Veja o que fazer em cada uma:
- Uma ou duas parcelas atrasadas. Peça o valor atualizado por escrito e veja como saber se o juro é abusivo pela taxa média do Banco Central.
- Chegou carta do cartório. O processo pode estar a semanas de começar. Leia o guia sobre o que fazer ao receber a notificação.
- Já existe processo. Consulte pelo CPF no site do tribunal e peça a análise antes da liminar.
- O carro foi levado. Os prazos de 5 e 15 dias já estão correndo; não espere o fim de semana passar.
Em qualquer etapa, você pode pedir a análise gratuita do contrato: a resposta vem por escrito, sem custo, e honorários só existem se houver resultado.
Depois da apreensão, a lei dá 5 dias para a purga da mora, que é pagar a dívida e recuperar o carro (veja quanto pagar na purga da mora). Se ninguém paga, o carro pode ir a leilão, e o saldo devedor que sobrar continua cobrado. Em qualquer fase, o Código de Defesa do Consumidor vale para o contrato, e os juros podem ser discutidos numa ação revisional.
Perguntas frequentes sobre o tempo até a busca e apreensão
Com uma parcela atrasada o banco já pode pedir a busca e apreensão?
Pode. Pelo Decreto-Lei 911/69, o atraso nasce do simples vencimento da parcela, e o banco só precisa comprová-lo com notificação ao endereço do contrato. Na prática, a maioria espera mais, mas não é obrigada.
Quanto tempo depois da notificação vem a busca e apreensão?
Não há prazo fixo. Em geral, a ação vem de alguns dias a algumas semanas depois da carta, e a liminar pode sair em poucos dias. Varia conforme o banco, o tribunal e o caso.
Já paguei quase todo o financiamento. O banco ainda pode levar o carro?
Pode. Em 2017 o STJ decidiu que ter pago a maior parte do contrato não impede a busca e apreensão. O valor pago, porém, entra na defesa e na prestação de contas se o carro for vendido.
Se eu não receber a carta, o banco pode seguir com a ação?
Pode, se a carta foi enviada ao endereço que consta no contrato. Em 2023 o STJ decidiu que o envio para esse endereço basta, mesmo sem assinatura de quem recebeu. Se a carta foi para outro endereço, a falha pode ser discutida na defesa.
Pagar o atraso antes da ação evita a busca e apreensão?
Em geral, sim: com o contrato em dia, o banco perde o motivo para entrar com a ação. Peça o valor atualizado por escrito e guarde o comprovante. Depois que o processo começa, pagar só as parcelas atrasadas costuma não bastar.


