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Lei do superendividamento explicada: quem tem direito e como funciona

Enviar a lista das dívidas pelo WhatsApp para análise gratuita

Casal sentado à mesa da cozinha somando faturas de cartão, boletos e o extrato do consignado com uma calculadora
A lei olha para o conjunto: todas as dívidas de consumo somadas, comparadas com a renda real da família.

A lei do superendividamento (Lei 14.181/2021) permite que a pessoa física de boa-fé que já não consegue pagar o conjunto das dívidas de consumo sem faltar o básico em casa reúna todos os credores numa única audiência e monte um plano de pagamento de até 5 anos que caiba na renda. Ela não perdoa a dívida: reorganiza o pagamento para que sobre dinheiro para o básico.

O que é a Lei do Superendividamento e o que ela mudou no CDC?

A Lei do Superendividamento é a Lei 14.181, de 1º de julho de 2021, que acrescentou ao Código de Defesa do Consumidor (CDC) regras para prevenir o endividamento excessivo e para tratar quem já está afogado em dívidas. Superendividamento, para a lei, é a impossibilidade evidente de a pessoa física de boa-fé pagar as dívidas de consumo, vencidas e a vencer, sem comprometer o mínimo existencial, o dinheiro do básico.

Antes dela, quem devia para cinco bancos negociava com cada um separadamente, e cada acordo resolvia uma dívida apertando a outra. A lei trocou essa lógica pela do conjunto: todas as dívidas de consumo passam a ser analisadas juntas, contra a renda real da família.

Antes e depois da Lei 14.181/2021

A lei mudou quatro pontos para quem deve a vários bancos:

Comparação entre a situação do consumidor endividado antes e depois da Lei do Superendividamento
SituaçãoAntes da leiDepois da lei
NegociaçãoUm banco por vez, no telefone ou na agência.Todos os credores na mesma audiência, diante de um plano único.
Banco que não quer negociarPodia simplesmente ignorar o pedido.Se faltar à audiência sem justificativa, tem a cobrança suspensa e pode ser obrigado a aceitar o plano.
Oferta de créditoAnúncios de "empréstimo sem consulta" e ligações insistentes.Proibidos o anúncio sem consulta e o assédio, sobretudo a idosos.
Informação no contratoCusto total escondido em letras miúdas.Obrigação de informar custo efetivo total, juros mensais, encargos de atraso e total a pagar.

Resumo dos artigos 54-A a 54-G e 104-A a 104-C do CDC. A aplicação depende do juiz e do caso.

Quem tem direito à repactuação: os 4 requisitos da lei

Tem direito à repactuação quem reúne quatro condições: é pessoa física, agiu de boa-fé, deve dívidas de consumo e não consegue pagá-las sem sacrificar o básico. Faltando uma, o caminho costuma ser outro, como revisar um contrato específico.

  • Pessoa física. Dívida feita no CNPJ fica de fora, mesmo que o sócio pague com o próprio salário.
  • Boa-fé. As dívidas foram feitas para viver, com intenção de pagar. Desemprego, doença, separação ou juros que cresceram sem controle são histórias típicas.
  • Dívidas de consumo. Cartão, cheque especial, empréstimo pessoal, consignado, crediário e até contas como luz, água e internet.
  • Mínimo existencial comprometido. Somadas as parcelas, falta dinheiro para comida, moradia, saúde e transporte.

Dívidas que entram e dívidas que ficam de fora

A lei alcança quase todas as dívidas do dia a dia, mas exclui algumas de forma expressa. Conferir a lista evita um plano que o juiz não pode aprovar.

Quais dívidas entram e quais ficam fora da repactuação pela Lei do Superendividamento
Tipo de dívidaEntra no plano?Observação
Cartão, empréstimo pessoal e cheque especialSimInclui rotativo e parcelamento da fatura.
ConsignadoSimEm folha ou no benefício do INSS.
Crediário e contas da casaSimCarnês, luz, água e internet atrasados.
Financiamento do carroEm regra, nãoTratado como garantia; tribunais divergem.
Financiamento imobiliário e crédito ruralNãoExcluídos pela lei.
Luxo de alto valor ou dívida sem intenção de pagarNãoFalta a boa-fé que a lei exige.
Impostos e pensão alimentíciaNãoNão são relações de consumo.

A exclusão do carro não deixa o financiamento sem saída: os juros desse contrato podem ser comparados com a taxa média do Banco Central e discutidos à parte. Veja a revisão dos juros do financiamento do carro.

Você se enquadra? Teste de 6 perguntas para fazer agora

Responda com sim ou não, pensando no mês atual e nos próximos. Quanto mais respostas sim, maior a chance de o seu caso ser de superendividamento; o teste orienta, mas quem decide é o juiz, com os documentos na mão.

  1. Somando todas as parcelas do mês, sobra menos do que você precisa para comida, aluguel, remédio e transporte? É o centro da lei.
  2. Você deve para mais de um credor, ou tem vários contratos com o mesmo banco? Uma dívida só, com juro alto, costuma pedir outro remédio.
  3. As dívidas vieram do consumo do dia a dia? Casa financiada e dívida da empresa não contam.
  4. Você contraiu essas dívidas para viver, e não para comprar algo de luxo ou sem pretender pagar?
  5. Você já tentou renegociar e o acordo virou mais uma parcela impossível? É um sinal clássico.
  6. Você tem alguma renda hoje, mesmo pequena? Salário, aposentadoria, pensão ou bico: o plano é construído sobre ela.

Como ler o resultado do teste?

Conte quantas respostas foram sim e veja o que isso costuma indicar:

Interpretação do teste de 6 perguntas sobre a Lei do Superendividamento
Respostas simO que costuma indicarPróximo passo sugerido
5 ou 6Quadro típico de superendividamento.Reunir as dívidas e pedir a análise do caso.
3 ou 4Fronteira: talvez um ou dois contratos puxem o orçamento.Comparar a repactuação com a revisão desses contratos: revisional ou superendividamento, qual é o caso?
0 a 2Provavelmente outro caminho.Revisão de juros, defesa judicial ou renegociação.

Se a pergunta 6 teve resposta não, o plano não se sustenta, qualquer que seja a soma.

Mínimo existencial: quanto da sua renda a lei protege

Mínimo existencial é a parte da renda reservada às despesas básicas, que nenhum plano de pagamento pode consumir. O Decreto 11.150/2022, alterado em 2023, fixou esse valor em R$ 600 por mês, número criticado por ficar longe do custo real de uma família.

Os tribunais ainda divergem: há juízes que aplicam o valor do decreto e há os que olham as despesas comprovadas de cada casa. Por isso o pedido mostra o orçamento real, com comprovantes. É desse retrato que sai a parcela possível, e não da vontade do banco.

Exemplo ilustrativo: como a conta é feita

Números fictícios, só para mostrar a lógica. Uma família com renda líquida de R$ 3.000, despesas essenciais de R$ 2.000 e quatro dívidas, de cartão (R$ 900 por mês), empréstimo pessoal (R$ 650), consignado (R$ 450) e cheque especial (R$ 300).

Exemplo ilustrativo do orçamento de uma família antes e depois de um plano de repactuação
Item do mêsAntes do planoCom o plano (ilustrativo)
Renda líquidaR$ 3.000R$ 3.000
Despesas essenciaisR$ 2.000R$ 2.000
Parcelas das dívidasR$ 2.300 (quatro credores)R$ 800 (uma proposta dividida entre os quatro)
ResultadoFaltam R$ 1.300, cobertos com mais créditoSobram R$ 200 para imprevistos

Exemplo ilustrativo. Antes do plano, o rombo era coberto com cheque especial e rotativo, as linhas mais caras. Parcela, prazo e encargos reais dependem das dívidas, da renda comprovada, dos credores e do juiz.

Como funciona a ação: passo a passo até a audiência com os credores

A ação de repactuação segue cinco etapas: levantamento das dívidas, pedido ao juiz, audiência global de conciliação, homologação do acordo e, só sem acordo, o plano judicial compulsório.

1. Levantamento das dívidas e do orçamento

Junte contratos, faturas, o contracheque ou extrato do benefício e os comprovantes das despesas da casa. O Registrato, sistema gratuito do Banco Central, lista os empréstimos no seu CPF e ajuda a não esquecer nenhum credor.

2. Pedido de repactuação ao juiz

A petição lista credores, valores, renda, despesas essenciais e a proposta de plano, de até 5 anos. Não é falência nem declaração de insolvência e não toma nenhum bem seu. A conciliação também pode começar no Procon ou na Defensoria Pública.

3. Audiência global de conciliação

Um juiz ou conciliador reúne todos os credores ao mesmo tempo e você apresenta a proposta; cada banco precisa mandar alguém com poderes para negociar. Quem falta sem justificativa tem a cobrança suspensa, os encargos de atraso interrompidos e, se o valor for conhecido, fica sujeito ao plano e só recebe depois dos que compareceram.

Checklist para o dia da audiência

  • Documento com foto e número do processo, mesmo em audiência por vídeo.
  • Orçamento atualizado, com renda e despesas do último mês.
  • Parcela máxima definida antes, para não aceitar na pressão um número que não cabe.
  • Lista de credores, para apontar quem faltou.

4. Acordo homologado: o plano vira decisão do juiz

O plano homologado vale como decisão judicial e pode prever prazos maiores, redução de encargos, suspensão das ações de cobrança e a data em que o nome sai dos cadastros de inadimplentes. Em troca, você se compromete a não agravar o endividamento.

5. Sem acordo: o plano judicial compulsório

Se algum credor recusar, você pode pedir que o juiz revise os contratos e imponha um plano a ele. O plano garante pelo menos o principal corrigido, em até 5 anos, com a primeira parcela em até 180 dias da homologação e o resto em parcelas mensais iguais. O ritmo varia em cada tribunal; as faixas de prazo estão no guia sobre quanto tempo dura a ação.

Mais de um banco levando o seu salário?

Fotografe faturas, contratos e contracheque e mande pelo WhatsApp. A equipe de advogado para superendividamento diz por escrito se o caso se encaixa na lei e qual parcela a sua renda suporta. Análise gratuita, honorários só no êxito.

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Nome, cobranças e descontos: o que muda durante a ação

Entrar com a ação não limpa o nome nem suspende as cobranças automaticamente; essas medidas são pedidas ao juiz e entram no plano. Até lá, pagar o que for possível evita multas e novas cobranças.

A saída dos cadastros costuma vir com o acordo homologado; em casos urgentes, dá para pedir uma decisão provisória antes, e a resposta varia de juiz para juiz. Veja, fase por fase, se o nome fica sujo durante a ação.

O desconto do consignado continua até que o juiz decida outra coisa; há decisões que o limitam quando compromete o mínimo existencial, mediante pedido e prova do orçamento. Se um banco já cobra na Justiça, com bloqueio ou penhora, o plano pode suspender essa ação e, enquanto isso, vale a defesa quando o banco já entrou com execução.

O que o banco não pode fazer desde a Lei do Superendividamento?

A lei também proíbe práticas que empurram o consumidor para o buraco. Se alguma aconteceu com você, ela pesa a seu favor e pode levar o juiz a reduzir juros e encargos ou alongar o prazo do contrato.

  • Anunciar crédito "sem consulta" ao SPC ou ao Serasa, ou sem avaliar a sua situação financeira.
  • Esconder o custo do crédito ou dificultar que você entenda os riscos.
  • Assediar ou pressionar para contratar, sobretudo pessoa idosa, analfabeta, doente ou vulnerável.
  • Exigir que você desista de uma ação na Justiça como condição para negociar.
  • Contratar sem informar o custo efetivo total, os juros mensais, os encargos de atraso e o total a pagar.
  • Liberar crédito sem avaliar se você consegue pagar, ou sem entregar a cópia do contrato.

Guarde prints, gravações e anúncios: eles mostram como a dívida nasceu.

Advogado, Procon ou Defensoria: por onde começar e quanto custa

Você pode buscar a repactuação de graça pelo Procon ou pela Defensoria Pública, ou com um advogado particular; a escolha depende da renda, da quantidade de dívidas e de haver juros a revisar. Nenhum caminho exige pagamento adiantado.

Comparação entre os caminhos para pedir a repactuação de dívidas
CaminhoCusto para vocêQuando faz sentidoLimite
ProconGratuitoPoucas dívidas e credores dispostos a negociar.Só conciliação; sem acordo, o caso vai à Justiça.
Defensoria PúblicaGratuitoRenda dentro do limite da Defensoria local.Filas e critérios variam por estado.
Advogado particularNa LVR, análise gratuita e honorários só no êxitoMuitas dívidas, juros acima da média ou execução em curso.Exige contrato de honorários por escrito.

O advogado acrescenta estratégia: escolher quais contratos revisar antes do plano e provar o orçamento real em vez do mínimo do decreto. Para saber se o seu caso precisa disso, envie a lista das suas dívidas para a análise gratuita e receba a resposta por escrito, sem compromisso.

Perguntas frequentes sobre a Lei do Superendividamento

As cinco dúvidas mais comuns, respondidas de forma direta.

A Lei do Superendividamento perdoa as dívidas?

Não. A lei reorganiza o pagamento, não apaga o que você deve. O plano pode alongar prazos e reduzir juros e encargos, mas, no plano compulsório, os credores recebem pelo menos o valor principal corrigido.

Quem está desempregado ou ganha pouco pode usar a lei?

Pode, desde que exista alguma renda para sustentar o plano: salário, aposentadoria, pensão, benefício ou trabalho informal. Sem nenhuma renda não há parcela possível. Renda baixa, por si só, não impede o pedido.

O consignado do INSS e o financiamento do carro entram na repactuação?

O consignado, em folha ou no benefício, entra no conjunto analisado. O financiamento do carro com alienação fiduciária costuma ficar de fora, por ser contrato com garantia, embora haja divergência entre tribunais; os juros dele podem ser discutidos em ação revisional própria.

Preciso parar de pagar as parcelas para entrar com a ação?

Não, e parar por conta própria é arriscado: gera multa, juros de atraso, negativação e novas cobranças na Justiça. O correto é pagar o que for possível e pedir ao juiz, dentro da ação, as medidas de proteção necessárias.

Posso pedir a repactuação das dívidas mais de uma vez?

Pode, mas só depois de dois anos contados da quitação das obrigações do plano homologado. Por isso o primeiro plano precisa ser realista: uma parcela que cabe no papel, mas não no mês, desperdiça a principal ferramenta da lei.

Continue lendo sobre superendividamento e dívidas bancárias

Três guias que respondem à próxima dúvida de quem descobriu a lei: o que acontece com o nome, quanto tempo o processo leva e o que fazer se um banco já foi à Justiça. Veja todos em guias sobre dívidas bancárias.

Advogado em videochamada orientando um casal que organiza as contas na mesa da cozinha

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  • Você manda fotos das faturas, dos contratos e do contracheque ou extrato do benefício pelo celular.
  • Conferimos o orçamento real da casa e os juros de cada contrato contra a taxa média do Banco Central.
  • Um filho ou parente pode enviar os documentos e acompanhar tudo junto com você.

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