Teve o MED negado: o que fazer agora é guardar a resposta do banco, reunir as provas do golpe e levar o caso para quem possa cobrar o banco fora do Pix. A negativa do Mecanismo Especial de Devolução só diz que o dinheiro não voltou por esse caminho rápido; ela não decide se o banco falhou na sua segurança, e é essa falha que a Justiça analisa.
O que é o MED e por que o banco pode negar a devolução?
O MED, sigla de Mecanismo Especial de Devolução, é a ferramenta do Pix que permite ao banco de quem pagou pedir ao banco de quem recebeu o bloqueio e a devolução do dinheiro em caso de golpe. Ele foi criado pelo Banco Central em 2021 (Resolução BCB 103) e funciona só entre os bancos.
Você relata o golpe ao seu banco em até 80 dias do Pix; ele avisa o banco que recebeu o dinheiro, que bloqueia o saldo que ainda existir na conta do golpista e decide se há indício de fraude. Repare nas duas condições: fraude e saldo disponível. O MED não é um seguro e não usa dinheiro do banco para cobrir o prejuízo. Por isso falha tanto: o golpista costuma passar o dinheiro adiante em minutos, e o bloqueio chega a uma conta vazia.
O MED também não cobre Pix enviado para a chave errada por engano nem briga com um vendedor real que não entregou o produto (o chamado desacordo comercial).
MED aprovado, parcial ou negado: o que cada resposta significa
O MED pode terminar de três formas, e cada uma pede um próximo passo diferente. A tabela abaixo funciona como um fluxograma: encontre a resposta que você recebeu e veja o que ela quer dizer na prática e o que fazer em seguida.
| Resposta que você recebeu | O que ela significa | O que fazer agora |
|---|---|---|
| Aprovado (devolução total) | O banco recebedor reconheceu a fraude e ainda havia saldo suficiente na conta do golpista. | Confira o valor no extrato. Se o golpe gerou outros prejuízos (empréstimo, cartão, tarifas), eles ainda podem ser discutidos. |
| Aprovado em parte (devolução parcial) | A fraude foi reconhecida, mas só uma parte do dinheiro estava na conta. Pode haver mais de uma devolução pequena. | Guarde cada crédito recebido. A diferença que não voltou é o que se cobra do banco na Justiça. |
| Negado por falta de saldo | Houve indício de golpe, mas a conta já estava vazia quando o bloqueio chegou. | É a negativa mais comum e a que menos fala sobre você. Peça a resposta por escrito e reúna as provas. |
| Negado por "não caracterizar fraude" | O banco entendeu que você autorizou o Pix por vontade própria ou que foi um desacordo comercial. | Contestar na ouvidoria com o BO e os prints da conversa com o golpista, que mostram a enganação. |
| Negado por prazo | O pedido foi feito depois dos 80 dias do Pix. | O MED acabou, mas a cobrança judicial contra o banco tem prazo muito maior. |
| Sem resposta clara | Só uma mensagem genérica no aplicativo, sem motivo nem protocolo. | Pedir formalmente o motivo, por escrito, com número de protocolo. A falta de resposta também é prova. |
Quadro de referência: as mensagens variam de um banco para outro e o texto exato da sua resposta deve ser lido caso a caso.
Em toda negativa, o MED olha a conta do golpista, não o comportamento do seu banco. Uma transferência fora do seu padrão que passou sem bloqueio, ou uma conta aberta sem conferir quem era o dono, não aparece na resposta do MED. Aparece no processo.
O que mudou com o MED 2.0 e por que ele ainda pode negar?
O MED 2.0, criado pela Resolução BCB 493 e obrigatório desde 2 de fevereiro de 2026, permite rastrear o dinheiro além da primeira conta, seguindo as transferências que o golpista fez para outras contas. Antes, o bloqueio parava na conta que recebeu o seu Pix; agora, ele pode alcançar as contas seguintes da cadeia, as chamadas contas-laranja.
Isso aumenta a chance de achar parte do dinheiro, e o processo tem prazo total estimado em cerca de 11 dias. Mas as condições continuam as mesmas: se o valor já foi sacado ou saiu do sistema Pix, a resposta volta negativa ou parcial. A diferença é que um pedido que não foi rastreado pode ser questionado.
O que perguntar ao banco sobre o MED 2.0?
- O rastreamento foi feito? O pedido seguiu o dinheiro para as contas seguintes ou parou na primeira?
- Em que data o bloqueio foi pedido? Demora entre o seu relato e o aviso ao outro banco pesa contra a instituição.
- Qual foi o motivo exato? "Sem saldo" e "não é fraude" pedem estratégias diferentes.
MED negado: o que fazer nos primeiros dias depois da resposta
Depois da negativa, o mais importante é transformar o que aconteceu em documentos, porque é com eles que o caso será analisado. A sequência abaixo leva poucos dias e não exige sair de casa.
| Quando | O que fazer | Por que importa |
|---|---|---|
| No dia da negativa | Tirar print da resposta do banco, com data, hora e número de protocolo. | Mensagens no aplicativo podem sumir ou mudar de lugar. |
| Dias 1 e 2 | Registrar o boletim de ocorrência, se ainda não fez, e pedir ao banco o motivo da negativa por escrito. | O BO e a negativa formal são as duas peças centrais do caso. |
| Dias 2 a 5 | Abrir reclamação na ouvidoria do seu banco, juntando o BO e os prints da conversa com o golpista. | A ouvidoria é a última instância dentro do banco e tem prazo para responder. |
| Dias 5 a 10 | Registrar reclamação no Banco Central e, se quiser, no consumidor.gov.br. | Cria registro oficial de que você tentou resolver e às vezes destrava uma revisão. |
| A qualquer momento | Enviar a negativa e as provas para uma análise jurídica. | Não é preciso esperar a ouvidoria para saber se o caso tem caminho na Justiça. |
Prazos de referência: o tempo de resposta da ouvidoria e dos canais oficiais varia conforme a instituição.
O Banco Central não julga casos individuais nem devolve dinheiro; a reclamação pressiona o banco e mostra que você tentou resolver. O passo seguinte está na página sobre o golpe do Pix: o banco negou a devolução, que explica como a ação judicial anda.
O banco disse não ao seu MED? Mande a resposta para análise
Envie o print da negativa, o comprovante do Pix e o BO. A equipe da LVR Advocacia confere o motivo da recusa, o horário e o valor da transferência e responde por escrito se o caso tem caminho contra o banco. A análise é gratuita e os honorários só existem no êxito.
Enviar a negativa do banco para análise gratuitaChecklist de provas para guardar antes que elas sumam
As provas de um golpe de Pix somem rápido: o golpista apaga conversas e perfis desaparecem. Junte tudo em uma pasta e envie cópias para o seu próprio e-mail.
- Comprovante de cada Pix com valor, data, hora, chave de destino, nome e banco do recebedor.
- Extrato da conta dos 3 meses anteriores ao golpe, que mostra qual era o seu padrão normal de gastos.
- Prints da conversa com o golpista (WhatsApp, SMS, ligação registrada no histórico, e-mail, link do site falso).
- Boletim de ocorrência com a descrição do golpe, os valores e os dados do recebedor.
- Protocolos de atendimento com data e hora de cada contato com o banco, inclusive o pedido do MED.
- Resposta negativa do MED e, depois, a resposta da ouvidoria, em print ou PDF.
- Sinais de que algo estava errado: aviso de acesso por aparelho novo, aumento de limite que você não pediu, Pix em sequência ou de madrugada.
O último item merece atenção: um Pix muito acima do seu costume, em sequência ou às 2 da manhã é o tipo de sinal que a segurança do banco deveria perceber, e o extrato antigo é o que prova a diferença.
Quando o caso do MED negado vai para a Justiça?
A Justiça entra quando o banco mantém a negativa e há sinais de que ele falhou em proteger você. A base é a Súmula 479 do STJ: os bancos respondem pelos danos causados por fraudes e delitos de terceiros dentro das operações bancárias, porque esse risco faz parte da própria atividade deles. O Código de Defesa do Consumidor (art. 14) diz a mesma coisa com outras palavras: quem presta o serviço responde pela falha dele.
Na ação, podem ser cobrados dois bancos. O seu, se deixou passar uma transferência fora do padrão, demorou a bloquear ou atendeu mal. E o banco do golpista, se abriu e manteve uma conta usada para receber golpes sem conferir direito quem era o titular. Para ver em quais casos os tribunais reconhecem essa falha, leia o guia sobre quando o banco é responsável pelo golpe.
Tenho chance mesmo tendo feito o Pix eu mesmo?
Pode ter. Quase todo golpe de Pix é feito pela própria vítima, enganada por alguém que se passou pelo banco, por um parente ou por uma loja. Essa enganação se chama engenharia social, e os tribunais têm reconhecido que ela não apaga o dever de segurança do banco, principalmente quando a transação fugia do seu padrão. O mesmo vale para quem entregou o cartão achando que falava com o banco, como no golpe do motoboy. Ninguém pode prometer o desfecho: o que se analisa são as provas de cada caso.
Exemplo ilustrativo de MED parcial
Exemplo ilustrativo: depois de uma ligação da falsa central às 23h40, uma pessoa faz três Pix em sequência, de R$ 1.500, R$ 2.000 e R$ 2.500, para uma conta aberta dias antes. O MED encontra R$ 700 e devolve ("aprovado parcialmente"). Os R$ 5.300 restantes são o que se discute com o banco na Justiça, junto com eventual dano moral, sem valor prometido.
Quanto custa levar o caso adiante?
Na LVR Advocacia, a análise é gratuita e os honorários são cobrados só no êxito, sem adiantamento (veja como funciona o pagamento só no êxito). Casos menores costumam ir ao Juizado Especial Cível, que em regra não cobra custas na primeira instância. O processo leva, em geral, de 6 meses a 2 anos, conforme o tribunal e o caso.
Erros que enfraquecem o caso depois do MED negado
Os erros que mais prejudicam o caso acontecem nos dias seguintes à negativa, quando a pessoa ainda está abalada. Evitar os cinco abaixo já deixa o caso mais forte.
- Apagar a conversa com o golpista. É a prova de que você foi enganado. Tire print antes de bloquear o contato.
- Aceitar a negativa por telefone, sem pedir o motivo por escrito.
- Pagar alguém que promete "recuperar o Pix" por uma taxa. Ninguém tem acesso especial ao MED; é um segundo golpe.
- Fazer o BO só com "caí num golpe", sem horário, valores e dados do recebedor.
- Achar que, por ter feito o Pix, a culpa é toda sua. É a frase que o banco mais usa, e nem sempre é a que os tribunais adotam.
Golpistas também se passam por escritórios e cobram para "liberar" valores. Antes de enviar documentos, confira como saber se um escritório online é de verdade. A LVR nunca pede senha, código, Pix adiantado ou taxa de liberação; o primeiro contato é pela página de análise gratuita ou pelo WhatsApp oficial.
Perguntas frequentes sobre o MED do Pix negado
As cinco dúvidas mais comuns de quem acabou de receber a negativa do banco.
O MED negado significa que eu perdi o dinheiro de vez?
Não. O MED é um pedido administrativo entre bancos e só consegue devolver o dinheiro que ainda está nas contas rastreadas. A negativa não decide se o banco falhou na segurança da sua conta; isso é discutido na Justiça, com base na Súmula 479 do STJ e no Código de Defesa do Consumidor.
Posso pedir o MED de novo depois da negativa?
Em regra, o MED de uma mesma transação é analisado uma vez. O que você pode fazer é pedir à ouvidoria do banco a revisão da resposta, juntando o boletim de ocorrência e os prints do golpe, e registrar reclamação no Banco Central. Se a negativa continuar, o próximo passo é a análise jurídica do caso.
Qual é o prazo para pedir o MED e para processar o banco?
O MED deve ser pedido em até 80 dias contados do Pix. O prazo para cobrar o banco na Justiça é bem maior, contado em anos pelo Código de Defesa do Consumidor, e varia conforme o caso. Vale agir cedo.
Fiz o Pix eu mesmo, enganado pelo golpista. Ainda tenho chance?
Pode ter. Os tribunais têm reconhecido a responsabilidade do banco em golpes de engenharia social, principalmente quando a transferência fugia do padrão do cliente, foi feita de madrugada, em sequência ou para conta recém-aberta. A resposta depende das provas de cada caso, por isso a análise individual é o primeiro passo.
Quanto custa contestar o MED negado na Justiça?
Na LVR Advocacia a análise da negativa é gratuita e os honorários são cobrados só no êxito, sem pagamento adiantado. Casos de menor valor costumam tramitar no Juizado Especial Cível, que em regra não cobra custas na primeira instância.


