Há juros abusivos em empréstimo pessoal quando a taxa do seu contrato fica muito acima da taxa média que o Banco Central divulga para o crédito pessoal na mesma época. Para descobrir, você só precisa de dois números: a taxa mensal do contrato e a média oficial do mês em que assinou. Se a diferença for grande, a ação revisional pode reduzir as parcelas e devolver o que foi pago a mais.
Quando o juro do empréstimo pessoal é considerado abusivo?
O juro do empréstimo pessoal é considerado abusivo quando fica muito acima da média cobrada pelos bancos no mesmo tipo de crédito e no mesmo período. Não existe um teto fixo em lei: o Superior Tribunal de Justiça decidiu que bancos podem cobrar mais de 12% ao ano e que o abuso se mede caso a caso, usando a taxa média como régua.
Muitas decisões tratam como indício forte uma taxa em torno de uma vez e meia a média, mas isso não é regra fixa. E atenção: o empréstimo pessoal sem garantia (sem carro, imóvel ou desconto em folha) tem juros naturalmente maiores que o consignado, então a comparação precisa ser com a modalidade certa.
Onde achar a taxa de juros no contrato do empréstimo?
A taxa fica no quadro-resumo, na primeira página do contrato ou na tela de confirmação do app. Ao lado dela, o banco é obrigado a informar o CET (Custo Efetivo Total), que soma juros, IOF, tarifas e seguros.
| Campo do contrato | Como costuma aparecer | O que conferir |
|---|---|---|
| Taxa de juros mensal | "Taxa a.m." ou "juros ao mês" | É o número que vai para a comparação com a média do Banco Central. |
| Taxa de juros anual | "Taxa a.a." | Se for maior que 12 vezes a mensal, os juros são capitalizados; isso só vale se estiver escrito. |
| CET | "Custo Efetivo Total", mensal e anual | Muito acima da taxa de juros indica tarifas e seguros embutidos. |
| Seguro prestamista | "Seguro proteção financeira" | Se foi incluído sem você escolher, pode ser seguro "casado" e ser devolvido. |
| Tarifas | "Tarifa de cadastro", "serviços de terceiros" | Cadastro é permitido no início do relacionamento; cobranças sem serviço comprovado podem ser discutidas. |
Não tem o contrato? Peça a cópia ao banco pelo SAC. Se o documento não aparecer, a Súmula 530 do STJ manda aplicar a taxa média de mercado, salvo se a cobrada for mais vantajosa para você.
O Código de Defesa do Consumidor vale para o empréstimo pessoal (Súmula 297 do STJ), e a revisão pode afastar a capitalização de juros não contratada, o anatocismo. Entrar com a ação, porém, não autoriza parar de pagar: pela Súmula 380 do STJ, a parcela continua devida enquanto o juiz não decide.
Como comparar a sua taxa com a média do Banco Central em 3 passos?
A comparação leva poucos minutos: você encontra a média oficial da modalidade e divide a sua taxa por ela.
- Anote o mês e a taxa mensal do seu contrato, com duas casas decimais (por exemplo, 8,90% ao mês, assinado em março).
- Procure, nas estatísticas de juros do Banco Central, a série "pessoas físicas, crédito pessoal não consignado" e pegue a taxa média daquele mês.
- Divida a sua taxa pela média. Resultado perto de 1 indica juro dentro do mercado; perto de 1,5 ou acima merece análise de um advogado.
O passo a passo com telas está no guia como comparar seu juro com a taxa do Banco Central. E para entender por que os tribunais usam essa régua, veja as 4 súmulas do STJ em português simples.
Exemplo ilustrativo: quanto um juro alto pesa no empréstimo pessoal
Poucos pontos na taxa mensal mudam milhares de reais no total pago. Veja R$ 10.000 em 24 parcelas, com uma taxa média hipotética de 5% ao mês.
| Cenário | Taxa ao mês | Parcela | Total pago |
|---|---|---|---|
| Na média | 5,0% | R$ 724,71 | R$ 17.393 |
| Uma vez e meia a média | 7,5% | R$ 910,50 | R$ 21.852 |
| Taxa do contrato | 9,0% | R$ 1.030,23 | R$ 24.725 |
Exemplo ilustrativo, calculado pela tabela Price, sem IOF, tarifas ou seguros. Não representa a taxa de nenhum banco nem promessa de resultado.
Neste exemplo, a taxa do contrato é 1,8 vez a média. Se o juiz reduzisse os juros à média, a parcela cairia cerca de R$ 305 e o total, cerca de R$ 7.300. O que já foi pago a mais pode ser devolvido (a chamada repetição de indébito), em regra de forma simples; em dobro, só quando a cobrança contraria a boa-fé.
O que fazer se o juro do seu empréstimo estiver acima da média?
Se a taxa estiver bem acima da média, o caminho é a revisional, a ação em que o juiz recalcula o contrato com juros de mercado. Antes dela, reúna o seguinte:
- Contrato ou print do quadro-resumo com taxa, CET e valor liberado.
- Extrato das parcelas pagas, que mostra quanto já saiu do seu bolso.
- Nada de parar de pagar por conta própria. A ação não impede o atraso de gerar negativação; o certo é pedir ao juiz o depósito da parte que você entende devida.
O processo segue o mesmo método da ação revisional de empréstimo e de financiamento: em geral de 1 a 3 anos, conforme o tribunal e o caso. Se você também tem um carro financiado em atraso, cuide dele primeiro; se ele for levado, veja o que fazer se o carro for apreendido: os primeiros 5 dias.
Quer saber se o seu empréstimo passou da média?
Mande a foto do quadro-resumo pelo WhatsApp. Comparamos a sua taxa com a média oficial e respondemos por escrito se a revisional do empréstimo pessoal faz sentido. A análise é gratuita e os honorários só existem no êxito.
Pedir análise gratuita do meu empréstimoTenho chance na revisional do empréstimo pessoal? E quanto custa?
As chances são melhores quando a taxa está bem acima da média, há seguro ou tarifas incluídos sem escolha e ainda faltam muitas parcelas. Com a taxa perto da média, a revisional costuma não compensar, e a análise gratuita diz isso com franqueza.
Sobre o custo: a análise do contrato é gratuita, e a LVR Advocacia trabalha com honorários só no êxito, sem pagamento adiantado. Para começar, basta enviar o contrato para a análise gratuita. Se o problema são várias dívidas que já não cabem na renda, entenda revisional ou superendividamento.
Perguntas frequentes sobre juros abusivos no empréstimo pessoal
As dúvidas mais comuns sobre o juro do empréstimo pessoal.
Juro acima de 12% ao ano já é abusivo?
Não. A Súmula 382 do STJ diz que juro acima de 12% ao ano, sozinho, não prova abuso. O que conta é a comparação com a taxa média do Banco Central para o crédito pessoal no mês da assinatura.
Posso parar de pagar o empréstimo enquanto a ação corre?
Não é recomendável. Entrar com a revisional não impede a negativação nem a cobrança das parcelas atrasadas. O caminho seguro é pedir ao juiz autorização para depositar o valor que você entende devido, enquanto o processo discute os juros.
Empréstimo feito pelo aplicativo também pode ser revisado?
Sim. O contrato digital vale como o de papel e precisa mostrar taxa e CET. Baixe o contrato no app ou peça a cópia; prints da tela de contratação também servem de prova.
Já quitei o empréstimo. Ainda dá para pedir o dinheiro de volta?
Em muitos casos, sim: a quitação não apaga a cobrança abusiva. O prazo para pedir a devolução varia conforme o pedido e o tribunal, então quanto antes a análise, melhor.
Se eu quitar antes do prazo, os juros diminuem?
Sim. O Código de Defesa do Consumidor garante a redução proporcional dos juros quando você antecipa o pagamento. Peça ao banco o valor de quitação e confira se os juros futuros foram retirados.


