Se apareceu no seu benefício um empréstimo consignado não contratado, o que fazer primeiro é guardar a prova e travar novos descontos: baixe o extrato no Meu INSS, conteste por escrito no banco, registre a reclamação no telefone 135 e faça um boletim de ocorrência. Você não precisa provar que não assinou: é o banco que precisa mostrar que a contratação foi sua, e ele responde pela fraude feita com os seus dados. Se o banco não cancelar, a Justiça pode suspender os descontos e mandar devolver o que foi tirado.
Como confirmar no extrato do INSS que o empréstimo não é seu?
A forma segura de confirmar um consignado que você não fez é o Extrato de Empréstimos Consignados do Meu INSS. Ele lista cada contrato que está sendo descontado do benefício, com o nome do banco, o número do contrato, a data de inclusão, o valor emprestado e o valor da parcela; se uma dessas linhas não é sua, ela é o ponto de partida de tudo.
Entre no aplicativo ou no site do Meu INSS com a conta gov.br do titular, procure "Extrato de empréstimo" e salve o PDF. Salve também o "Extrato de pagamento", que mostra mês a mês o que foi descontado. Se você está ajudando seu pai ou sua mãe, faça isso ao lado deles e nunca passe a senha gov.br para terceiros. Cada coluna do documento está explicada no guia sobre como encontrar o desconto indevido no extrato do INSS.
Sinais de que o consignado foi feito sem você
Estes sinais indicam que o empréstimo foi feito sem você:
- Banco desconhecido: uma instituição com a qual você nunca teve conta nem conversou.
- Data que não bate: a inclusão aconteceu num dia em que você não falou com banco ou vendedor nenhum.
- Dinheiro que você não pediu: um valor caiu na sua conta sem pedido, ou foi para a conta de outra pessoa.
- "Refinanciamento" ou "portabilidade" que você não autorizou: um contrato antigo mudou de banco, de parcela ou de prazo.
Basta um desses sinais para começar a reunir a prova. Cada mês de espera é mais um mês descontado.
O que fazer nas primeiras 24 horas: bloquear e não mexer no dinheiro
Nas primeiras horas depois de descobrir o empréstimo, duas atitudes protegem você: pedir o bloqueio do benefício para novos empréstimos e não gastar nem devolver por conta própria o dinheiro que tenha caído na sua conta. O bloqueio impede que o golpista repita a fraude; cuidar do dinheiro evita que a sua prova vire contra você.
Peça o bloqueio para novos empréstimos
O Meu INSS tem um serviço gratuito de bloqueio do benefício para empréstimo, feito pelo próprio titular. Ele não cancela o contrato que já existe, mas impede que novos consignados sejam incluídos. Salve o comprovante do pedido.
Se o dinheiro caiu na sua conta
Em muitas fraudes o valor é depositado na conta do próprio aposentado e, logo depois, alguém liga dizendo ser do banco: "caiu por engano, faça um Pix de volta". Essa ligação é a segunda parte do golpe: o dinheiro vai para o golpista e o contrato continua no seu nome. Separe o valor, não use e não transfira a ninguém; a devolução, quando for o caso, é feita de forma documentada, com orientação do advogado. Se o dinheiro foi para a conta de outra pessoa, anote: é um sinal ainda mais forte de fraude.
Nenhum banco, órgão público ou escritório sério pede senha gov.br, código recebido por SMS ou pagamento adiantado para "cancelar" um empréstimo. A LVR Advocacia também nunca pede.
Roteiro de provas em ordem: extrato, banco, 135 e boletim de ocorrência
A prova de um empréstimo consignado fraudulento se monta em quatro registros, cada um com número de protocolo: o extrato, a contestação no banco, a reclamação no INSS pelo 135 e o boletim de ocorrência. A ordem importa porque cada passo usa a informação do anterior, e o conjunto mostra ao juiz que você reagiu assim que descobriu.
| Passo | Onde fazer | O que guardar | Tempo típico |
|---|---|---|---|
| 1. Extrato | Meu INSS, com a conta gov.br do titular. | PDF do extrato de empréstimos e do extrato de pagamento. | Minutos. |
| 2. Contestação no banco | SAC ou app do banco que aparece no extrato; depois, a ouvidoria. | Protocolo, data e o texto enviado, com o pedido de cópia do contrato. | Registro no mesmo dia; a ouvidoria costuma responder em até 10 dias úteis. |
| 3. Reclamação no INSS | Telefone 135 ou Meu INSS; também na plataforma consumidor.gov.br. | Protocolo da reclamação e comprovante do bloqueio para novos empréstimos. | Mesmo dia; a resposta varia. |
| 4. Boletim de ocorrência | Delegacia online do seu estado. | Número e PDF do boletim, com o contrato e a data da descoberta. | Horas a 1 dia. |
| 5. Análise jurídica | Documentos enviados pelo WhatsApp a um advogado de Direito Bancário. | Parecer por escrito: cabe ação e o que pedir. | Em geral, até 1 dia útil. |
Tempos citados como referência: prazos de resposta de banco, INSS e delegacia variam conforme a instituição, o estado e o caso.
Modelo de texto para a contestação e o boletim
Use o texto abaixo na contestação por escrito no banco e adapte a primeira frase para o boletim. Troque o que está entre parênteses pelos seus dados.
Guarde a resposta do banco, mesmo negativa: uma recusa genérica, sem cópia do contrato, ajuda a mostrar que ele não tem como provar a contratação.
O que pedir ao banco e por que a prova cabe a ele?
Você não precisa provar que não assinou: quando o consumidor diz que a assinatura do contrato não é dele, cabe ao banco provar que ela é verdadeira, segundo o STJ (Tema 1061). E, pela Súmula 479 do STJ, o banco responde pelos prejuízos de fraudes cometidas por terceiros nas operações bancárias, porque conferir quem está contratando é obrigação dele.
Em vez de se explicar, você pede ao banco os documentos que ele deveria ter guardado. É este o checklist que usamos na análise:
- Cópia integral do contrato, com a assinatura física ou eletrônica.
- Registro da contratação digital: selfie, biometria, data, hora e localização do aparelho.
- Gravação da ligação, se a venda foi por telefone com correspondente bancário.
- Comprovante do crédito: para qual conta o dinheiro foi enviado.
- Documentos do cadastro: RG, comprovante de endereço e foto apresentados.
- Autorização de desconto enviada ao INSS para a averbação (o registro do consignado no benefício).
Muitas vezes esses documentos revelam a fraude sozinhos: assinatura diferente, selfie de outra pessoa, endereço de outro estado, dinheiro enviado para terceiros. E quando o banco não apresenta nada, esse silêncio também conta a seu favor.
Achou um empréstimo que você não fez?
Tire o print do extrato de empréstimos e mande para a equipe que cuida de descontos indevidos no benefício. Os advogados conferem o contrato, dizem por escrito se cabe pedir o cancelamento e a devolução e explicam o próximo passo. A análise é gratuita e os honorários só existem no êxito.
Enviar o extrato do INSS para análise gratuitaComo cancelar o consignado e recuperar os descontos na Justiça?
Quando o banco não cancela, ou cancela e não devolve, a ação pede que o juiz declare que o contrato não existe, que os descontos parem logo no começo e que o dinheiro volte para você. Também pode pedir dano moral, conforme o que o juiz reconhecer.
O que a ação pede, em português simples?
A ação contra o banco costuma fazer estes pedidos ao juiz:
- Declaração de inexistência do débito: o juiz reconhece que você não deve aquele empréstimo.
- Tutela de urgência: ordem provisória para o banco parar de descontar enquanto a ação corre.
- Devolução dos descontos: simples ou em dobro; o dobro depende da conduta do banco e da época da cobrança, não é automático.
- Dano moral: indenização possível conforme o caso, sem valor garantido.
Quanto tempo leva e quanto custa?
A decisão sobre a tutela de urgência costuma sair em algumas semanas. O processo inteiro leva, em geral, de 6 a 18 meses no Juizado Especial e de 1 a 3 anos na Justiça comum, conforme o tribunal e os recursos do banco. O pedido de devolução costuma alcançar os últimos 5 anos, então esperar reduz o que pode ser recuperado. A análise da LVR é gratuita, os honorários só existem no êxito e o aposentado de baixa renda costuma ter gratuidade das custas. Para começar, basta pedir a análise gratuita do seu caso.
Exemplo ilustrativo de quanto já saiu do benefício
Exemplo ilustrativo, com números redondos: uma parcela de R$ 92 descontada por 18 meses tirou R$ 1.656 do benefício. Se o juiz mandar devolver em dobro, o valor sobe para R$ 3.312, com correção. Se o dinheiro do empréstimo caiu na conta do aposentado e ficou guardado, o juiz costuma mandar abatê-lo do que o banco vai devolver; por isso ele não deve ser gasto.
Erros que enfraquecem a prova do consignado que você não fez
Os casos que chegam mais difíceis para análise quase nunca são difíceis pela fraude, e sim por atitudes tomadas no susto dos primeiros dias. Todos estes erros podem ser evitados.
- Gastar o dinheiro que caiu na conta. Para o banco, parece aceitação do contrato.
- Devolver o valor por Pix a quem ligou dizendo ser do banco: quase sempre é o próprio golpista.
- Aceitar "refinanciamento" ou "portabilidade" para resolver: isso cria um contrato novo, assinado por você.
- Reclamar só por telefone, sem protocolo: não há como provar que você contestou nem quando.
- Esperar meses para "ver se o banco corrige sozinho": cada mês é mais um desconto.
- Entregar a senha gov.br a despachante ou "agente do INSS": é assim que acontece a segunda fraude.
Quando o desconto não é empréstimo: associação, cartão e outras linhas do extrato
Nem todo desconto que você não reconhece é um consignado: mensalidades de associação ou sindicato e o cartão consignado aparecem em outras linhas do extrato e seguem caminhos diferentes. Identificar a linha certa evita perder tempo com o canal errado.
| Linha no extrato | Onde aparece | Primeiro passo |
|---|---|---|
| Empréstimo consignado | Extrato de empréstimos, com banco e contrato. | O roteiro deste guia. |
| Mensalidade associativa | Extrato de pagamento, com a sigla da entidade. | Pedir a exclusão no Meu INSS ou no 135. |
| Cartão consignado (RMC ou RCC) | Extrato de empréstimos, na parte de cartões. | Pedir cópia do contrato e avaliar o cancelamento. |
Se a linha for de entidade, veja como cancelar a mensalidade de associação ou sindicato. Se for cartão, o caminho está na página sobre o cartão consignado com reserva de margem (RMC). E para saber o que o próprio INSS resolve, leia sobre quando o INSS devolve o desconto.
Perguntas frequentes sobre empréstimo consignado não contratado
As cinco dúvidas que mais ouvimos de aposentados, e dos filhos que pesquisam por eles, quando aparece um consignado desconhecido.
O banco pode continuar descontando enquanto eu contesto?
Pode, até cancelar o contrato por conta própria ou até um juiz mandar parar. Por isso, quando a contestação não resolve rápido, a ação judicial pede uma tutela de urgência, que é a ordem provisória para suspender os descontos logo no início do processo.
O dinheiro caiu na minha conta. Isso quer dizer que eu contratei?
Não. Crédito na conta não prova contratação: o banco precisa mostrar que você autorizou o empréstimo. Mas não gaste o valor nem devolva por Pix a quem ligar pedindo. Guarde o dinheiro; se a Justiça cancelar o contrato, o juiz costuma mandar compensar esse valor no que o banco tem a devolver.
Preciso mesmo fazer boletim de ocorrência?
Não é obrigatório para entrar com a ação, mas ajuda muito. O boletim registra a data em que você descobriu a fraude e mostra que você agiu de boa-fé. Na maioria dos estados ele pode ser feito pela delegacia online, sem sair de casa.
Meu pai é idoso e não usa celular. Posso resolver por ele?
Pode ajudar em quase tudo: baixar o extrato ao lado dele, ligar para o 135 e enviar os documentos para análise. Para a ação, ele assina a procuração e o contrato digitalmente, sem ir a escritório nem agência.
Quanto custa contestar e entrar na Justiça?
Contestar no banco, registrar no 135 e fazer o boletim é gratuito. A análise da LVR Advocacia também, e na ação os honorários são cobrados só no êxito, sem pagamento adiantado.


